CHILE 2006

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Relato da Moto Expedição - Rumo ao Chile - Janeiro de 2006
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08/01/2006

Uruguaiana-RS -> Santa Fé-AR.

Fizemos uma rápida reunião na frente do hotel e partimos para atravessar a ponte e fazer os trâmites da aduana.

O GDM e a M2, que haviam nos acompanhado até Uruguaiana-RS iam retornar dali, mas a M2 resolveu continuar mais um pouco. Chegou a atravessar para o lado argentino e tentar os trâmites da aduana, mas como ela não estava com sua carteira de identidade original e nem o passaporte, foi impedida de seguir em frente. Acho que se não fosse isso ela acabaria fazendo toda a viagem conosco.

Os trâmites da aduana em Paso de Los Libres-AR foram meio trabalhosos, começando pelo local para estacionar os veículos, onde tinham certos "flanelinhas" que nós ficamos muito desconfiados, ainda mais porquê tínhamos os alforges das motos que poderiam ser mexidos. Levamos quase duas horas para fazer todos os trâmites embaixo de um sol de mais de 30 graus C. Logo que saímos da aduana, já paramos no primeiro posto do outro lado da rua para abastecer, afinal era gasolina pura (sem mistura com álcool) e mais barata que no Brasil.

Logo que saímos do posto, cerca de uns 2 kms de estrada já fomos parados pela polícia Argentina. Após verificar toda a nossa documentação e das motos, claro que o policial tinha que encontrar algo para "tentar" um dinheirinho. Começou a dizer que a minha moto não poderia seguir porquê tinha placa lateral. Como a Lika é Uruguaia, tem boa fluência com o idioma e com toda sua diplomacia, conseguiu convencer o guarda que faríamos a troca de local da placa na primeira cidade que parássemos. O policial deixou-nos seguir viagem mas com a condição de que, se a placa ainda estivesse naquele local na volta, a moto seria apreendida. Eu até pensei em trocá-la em alguma cidade mais a frente, mas como vi muitas motos com placas em qualquer lugar ou até mesmo sem elas na Argentina e nós não iríamos entrar no Brasil por Paso de Los Libres-AR e sim lá pelo Chuy-UY, acabei deixando como estava e não tive mais nenhum problema pra frente.

Seguimos viagem e fomos parados novamente por outro policial depois de umas duas horas de viagem. Era uma encruzilhada no meio do nada, mas lá estava o policial aguardando quem passasse. Por sorte este era muito mais legal que o anterior, pois ele nem quis ver os documentos, só nos parou para ver as motos, agradeceu a visita em seu país e nos desejou boa viagem. Ufaaaa..... Assim como no Brasil, existem policiais e "policiais".

Pararmos para almoçar em Federal-AR. Entramos na cidade e tudo "estava morto". Não encontrávamos quase ninguém nas ruas e as poucas lojas estavam fechadas. Lembramos que já era o horário da ciesta que é comum na Argentina após o almoço. Encontramos uma senhora que nos indicou um restaurante na beira da estrada um pouco mais adiante.

Depois de alguns kms paramos num posto para abastecer. A minha shadow tinha tanque de 16 litros, então não me preocupava tanto, mas como tínhamos duas shadows com tanque original (Avelino e Diabolin), entramos num posto que era "quase abandonado". As bombas de gasolina eram a manivela. Arriscamos colocar alguns litros de combustível, mas como estava meio complicado, resolvemos arriscar mais a frente por outro posto melhor. Paramos em outro posto, onde foi possível abastecer e éramos muito observados como "extraterrestres", pois tinham alguns ônibus de excursão onde as pessoas não paravam de nos admirar e fazer muitas perguntas. Muitas destas pessoas tomaram banho no posto, pois o calor era infernal, acho que chegava a quase 40 graus C. Antes da viagem preocupávamos muito com a autonomia das motos e localização dos postos para abastecer, mas naquele calor, a nossa autonomia era muito melhor, não passava de 50 km e já precisávamos parar e tomar muito líquido para não desidratar.

Antes de chegar em Santa Fé-AR, atravessamos o túnel sub fluvial que liga a cidade de Paraná-AR e Santa Fé-AR, passando por baixo do Rio Paraná.

Em Santa Fé-AR ficamos hospedados no hotel Gran Hotel España, onde já tínhamos reservas prévias. Depois de um bom banho, fomos dar uma volta pela cidade, jantar e tomar umas "gelatas" para refrescar todo o calor que passamos durante o dia.


09/01/2006

Santa Fé-AR -> San Francisco-AR -> Cordoba-AR.

Neste dia saímos um pouco mais pontualmente no horário programado. Pegamos uma estrada que já tinha um pouco mais de movimento e muito bonita. Paramos para abastecer na entrada da cidade de San Francisco-AR. Parece que alguém nos observava e logo avisou a polícia que tinha uma monte de brasileiros chegando naquela cidade, porque mal saímos do posto, um guardinha municipal com uma motinho tipo 125 cc caindo os pedaços, com os piscas quebrados e tudo mais, nos parou. Começou ver os documentos de todo mundo e estranhamente não queria a Carteira Internacional de Motorista, pois pediu a CNH para todo mundo. Como ele queria a Carteira Nacional de Habilitação, fomos apresentando, mas chegou a vez do Adv e ele não tinha levado a CNH, somente a Carteira Internacional. Foi o que o "guardinha" procurava, ou seja, qualquer motivo para tentar arrancar dinheiro. Não tinha jeito, ele não queria nos deixar seguir e gastamos um tempão argumentando, principalmente a Lika com toda sua diplomacia e maior conhecimento do idioma. Mesmo falando que o consulado da Argentina dizia ser necessário somente a Carteira Internacional e na própria carteira estar escrito que é válida na Argentina, o guarda alegava que naquele município era necessária a CNH. Depois de muita discussão o guardinha pediu que seguíssemos para conversar com o seu chefe. Quando ele foi subir na motinho deixou-a cair, levantou-a, deu uma sacudidela e mandou-nos seguir. Na verdade ele não queria todo aquele tumulto da cidade e foi conduzindo até parar novamente na saída da cidade, já na estrada para Cordoba-AR. Ele parou novamente no meio do nada com coisa nenhuma, inclusive não tinha nem uma sombra para nos protegermos, pois era próximo ao meio-dia e o sol estava de rachar a cabeça. Falou para todos nós seguirmos viagem, com exceção do Adv, que deveria ficar ali. Logicamente falamos que não seguiríamos viagem se todos não estivessem liberados. O guardinha começou a ficar muito bravo vendo que não conseguiria arrancar dinheiro da gente e nos mandou seguir falando um monte de coisas ruins de brasileiro. Que não prestam, que chegam naquele país e se acham donos, que eles querem cortar a cabeça dos brasileiros e assim por diante. Subimos na moto e fomos embora, afinal, nem adiantava argumentar com uma "criatura" daquelas. Este guardinha deve ter ficado muito frustrado e talvez até amedrontado porque sempre que parávamos, 6 motos, logo em seguida parava o Escobar, de carro, e ficava aguardando. Como o guarda não sabia o porquê daquele carro e nem mesmo se os passageiros poderiam estar filmando ou gravando alguma coisa, o guarda ficava desconfiado.

Chegamos em Cordoba-AR no meio da tarde, ainda com sol forte e logo fomos procurar o hotel El Virrey que o Cel. Mostarda tinha feito reserva. Nossa pressa em achar o hotel era maior para poder tirar as roupas grossas de proteção e tomar um bom banho para refrescar, porque o calor era grande. Aliás, para quem viaja nesta época do ano, é bom trazer bastante dinheiro trocado, porque cada parada gasta-se bastante com águas e energéticos.

Após o banho, apesar do adiantado da hora, fomos procurar um lugar para almoçar e passear pela cidade. Durante o almoço e já tomando as devidas geladas para refrescar, falamos muito sobre o episódio do guardinha e demos muita risada. Já aproveitamos para combinar as estratégias caso isso voltasse a acontecer em algum outro lugar da Argentina, mas felizmente não tivemos outros problemas como este.


10/01/2006

Cordoba-AR –> Mina Clavero-AR –> San Luis-AR -> Mendoza-AR

Saímos mais cedo, conforme tínhamos combinado para fazer os quase 700 kms previstos para aquele dia, sendo que alguns trechos seriam por estradas mais lentas, com muita curva. As 8 horas já estávamos no posto abastecendo e antes de 8:30 hs já estávamos na estrada.

Nesta estrada tem alguns pedágios e motos não pagam, mas precisam passar pelas cabines onde são anotadas as placas e autorizam a passagem de um a um. O rui disso tudo é passar por aquelas chancelas com verdadeiras possas de óleo. É muito arriscado, mas felizmente ninguém teve problemas.

Paramos no balneário Itcho Cruz, logo depois de Villa Carlos Paz-AR para conhecer.

Na passagem pela "serrinha de Cordoba" pegamos muito vento lateral, Em determinados momentos éramos até jogados para fora da pista ou na pista contrária. Foi um trecho bastante cansativo, pois tínhamos de manter a velocidade baixa e cuidar muito com o vento, hora de um lado, hora de outro. Conforme passava por entre as montanhas o vento parava e era possível andar mais tranquilamente, mas era preciso ficar muito atendo, porque logo que saia das montanhas, vinha algum vento de repente e não se sabia de qual lado. É nessas horas que poderíamos cair ou sermos jogados para cima de outros carros, precisava de muita força para manter a moto equilibrada.

Por volta do meio-dia paramos em Mina Clavero-AR para comer alguma coisa. É uma cidadezinha turística, muito bonita e bastante movimentada. Paramos em uma lanchonete onde eram vendidas empanadas de vários sabores.

Foi uma grande idéia, pois além de descansarmos um pouco da exaustiva força para manter a moto em pé durante a motocada pela serrinha, pudemos apreciar um lanche muito bom.

Depois desta cidade pegamos um trecho muito movimentado por uns 100 kms e demoramos muito para rodar. Depois veio a autopista onde foi possível andar em velocidades um pouco maiores, afinal ainda tínhamos muitos kms pela frente neste dia. O calor era imenso. Era melhor manter o capacete com a viseira totalmente fechado do que abrir, pois com a viseira aberta entrava todo aquele ar quente que vinha do asfalto.

Chegamos em Mendoza-AR já no final da tarde e pegamos muito trânsito local.

Também demoramos para achar o hotel Hotel Puerta del Sol que o Cel. Mostarda tinha feito reserva, pois a rua San Martin era interrompida em alguns trechos e para dar fazer o contorno e continuar na mesma rua era preciso dar uma volta imensa, porque nem todas as ruas davam mão no sentido que precisávamos. Coisas normais de uma grande cidade.

Apesar da dificuldade em achar o hotel, o inconveniente de não ter garagem e termos que deixar as motos em estacionamento pago a mais de duas quadras dali, tínhamos a vantagem do hotel ser muito próximo ao calçadão central da cidade, onde reúnem-se boa parte dos restaurantes e barzinhos, assim podíamos nos locomover a pé e ter acesso a tudo que precisávamos, inclusive a noite para tomar umas geladas.

O jantar neste dia foi bem mais relaxante, pois sabíamos que ficaríamos dois dias naquela cidade para descansar e conhecer um pouco da parte turística dali.


11/01/2006

Mendoza-AR

Como tínhamos programado de conhecer um pouco da parte turística da região, logo pela manhã contratamos um passeio de micro-ônibus que nos levaria para conhecer as vinícolas da região a tarde. Ainda pela manhã aproveitamos os tempo para resolver alguns problemas com as motos. A minha shadow precisava trocar óleo, apertar alguns parafusos que estavam soltos e soldar o farol de milha que tinha quebrado. Depois passeamos um pouco pelo calçadão, almoçamos e fomos para o hotel aguardar o ônibus que nos levaria no passeio.

Começamos o tour pela Bodega Baudron, onde uma guia da vinícola nos conduziu apresentando todo o processo produtivo dos vinhos, mas naquela época do ano estava parado porque não era época da colheita.

Depois fomos para a parte mais interessante da vinícola, o Wine Bar, que é o local de degustação dos vinhos. Aprendemos o ritual correto para se degustar um bom vinho, o problema é que de tão bom, dava vontade de trazer algumas garrafas, mas esta é a parte boa (economicamente) ou ruim (turisticamente) de se viajar de moto. Como a área para bagagens é muito restrita, não se tem espaço para ficar comprando lembranças.

Pegamos novamente o micro-ônibus e fomos visitar a Bodega El Cerno, uma vinícola um pouco menor e mais artesanal. Também vimos um pouco do processo de produção e degustamos alguns vinhos. Nesta vinícola chegamos mais próximos às parreiras, onde pudemos observar que as uvas estavam ainda verdes mas que logo iniciariam o processo produtivo.

Seguimos para uma fábrica de azeite e aprendemos as características dos diferentes tipos de azeites de oliva, virgem e extra-virgem. Nesta fábrica experimentamos alguns tipos de azeite degustados com pão torrado. Aqui não teve jeito, como sou apreciador de azeite de oliva, tive que comprar uma pequena garrafa, esta eu sabia que conseguiria levar no alforge, nem que fosse para consumir durante a viagem mesmo. Na sequência visitamos uma fábrica de bebidas, algumas feitas até com chocolate. MUITO BOAS !!!

No retorno ao hotel observamos o sistema de irrigação dos parreirais. Como a região é muito quente, eles tem um sistema específico para hidratar a plantação. Mas a água acaba escorrendo pelas estradas no meio das vinícolas. A paisagem fica muito bonita, mais imaginamos como seria se fizéssemos este city-tour de moto no meio de toda aquela água.


12/01/2006

Mendoza-AR

Pela manhã pegamos as motos e fomos visitar o Parque San Martin.

Este parque é muito grande e bonito. Do alto é possível ver muitas áreas das redondezas, inclusive o a aridez da região e a Cordilheira dos Andes, que passaríamos no dia seguinte.

Voltamos para a cidade de Mendoza-AR e novamente fomos almoçar num dos restaurantes daquele calçadão próximo ao hotel, afinal ali tinham muitas opções de comida para cada um escolher, além de poder tomar umas Quilmes geladas vendo toda a movimentação da cidade.

Após o almoço aproveitamos o tempo para conhecer um pouco da cidade e bisbilhotar nossas caixas postais de e-mails em uma das lan-houses da cidade. Estranhamente as lan-houses não servem bebidas alcoólicas mas permitem que bebam enquanto utilizam os computadores. Como quase todos estavam ali, vendo suas mensagens, cada vez um de nós ia até o boteco ao lado buscar mais uma rodada de cerveja.


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