13/01/2006
Mendoza-ARG -> Santiago-CHI
Este foi um dos trechos mais bonitos de toda a viagem. A travessia da Cordilheira dos Andes !!!
O trecho entre Mendoza-ARG até Santiago-CHI que seria percorrido neste dia era relativamente pequeno, aproximadamente 350 kms, mas nós programamos sair cedo para dar tempo de apreciar as paisagens e tirar muitas fotos. Foi o que realmente aconteceu, acabamos chegando em Santiago a noite, mas também tivemos problemas com a moto do Diabolin.
Logo na saída de Mendoza-ARG já pegamos a auto pista em direção aos Andes. Conforme andávamos alguns percursos, já íamos parando para tirar fotos, pois cada vez a paisagem ia ficando ainda mais bonita.
Montávamos na moto pensando em rodar mais um pouco e já tínhamos que parar novamente. Era só passar uma curva que já avistávamos novas paisagens e não conseguíamos continuar sem parar para apreciar e tirar fotos.
Com tudo isso; para, tirar fotos, anda mais um pouco, para novamente, mais fotos e assim durante quase todo o percurso, o bonde acabou dividindo-se um pouco. Não rodávamos o tempo todo juntos como um único bonde. Sabíamos que estávamos todos por perto, pois se alguém parasse para tirar alguma foto e os demais seguisse em frente, logo se reencontravam mais a frente. E assim foi por um bom período até chegarmos bem próximo da subida dos Andes propriamente dito.
Lembro-me de quando estávamos bem próximos a toda aquela cordilheira, eu parei para tirar algumas fotos e ao retornar para a moto, parei por alguns instantes para apreciar aquela paisagem e aquelas enormes montanhas cortadas por uma serpente de asfalto. Naquele momento parece que realmente "caiu a ficha". É uma sensação difícil de descrever. Olhar aquela estrada que te guia em direção às montanhas, imaginar que você vai subir tudo aquilo e olhar para baixo vendo "apenas uma moto" para te conduzir até o outro lado é MUITO FACINANTE. Só mesmo quem já passou por isso para imaginar a sensação.
Bom, olhei para baixo, dei umas batidinhas no tanque da Ana Júlia e falei: VAMOS LÁ COMPANHEIRA, vamos atravessar isso juntos. E assim foi. Continuando com diversas paradas para fotos, em vários momentos reencontrávamos um ou outro do grupo também parado e tirando fotos. Em alguns momentos, quando estava parado para tirar foto, escutava o ronco do motor dos demais vindo em seguida, aí já aproveitava para tirar fotos de parte do bonde passando.
Durante a travessia, pode-se ver o Pico do Aconcágua, muito famoso com seus quase sete mil metros de altitude. Paramos num ponto onde tem a entrada para o Parque Nacional do Aconcágua. Mas não é estrada asfaltada.

É preciso andar por estrada de ripio por alguns metros até chegar ao estacionamento. Dali em diante somente por caminhada. Existe uma trilha que vai até bem próxima do Pico, mas deve levar quase um dia a pé para chegar até lá. Decidimos fazer uma parte dela para chegar mais próximos e tirar algumas fotos. Chegamos a subir e descer uns três morros carregando os capacetes, malas-tanque e algumas parafernálias. Apesar do sol forte não chegava a ser tão quente, pois a altitude deixava o ar bem gelado.
No retorno do estacionamento para a estrada o Diabolin acabou batendo o cárter da moto em uma pedra. Como ele não tinha protetor de cárter na moto, logo que chegou na estrada observou que estava vazando óleo. Decidimos então parar logo a frente para tentar estancar o vazamento de alguma forma. O Adv retornou até o último posto que havíamos passado para comprar óleo a fim de ir completando até chegarmos em Santiago-CHI. Infelizmente o Adv retornou sem o óleo, pois não tinha no posto, somente combustíveis.
Durante o tempo que ficamos parados, aguardando o Adv e tentando estancar o vazamento do óleo, aproveitamos para comer alguns salgadinhos que tínhamos na bagagem, pois já passava bastante do meio-dia e não tínhamos almoçado.
Passou por nós, em sentido contrário, um outro grupo de motociclistas brasileiros que vieram de Manaus. Mandaram as motos até São Paulo e de lá fizeram o roteiro até o Chile.
Como não tinha jeito de consertar a moto do Diabolin ali, decidimos que a Lika iria na garupa do Adv enquanto o Diabolin seguiria na frente sem parar para chegar mais rapidamente até um posto de combustível. Caso ele tivesse algum problema, pararia e nós o encontraríamos na estrada.
Na fronteira com o Chile tivemos outro problema que também atrasou um pouco a viagem. Aquela copa, que o Cel. Mostarda tinha comprado lá no Rio Grande do Sul, antes de chegar em Porto Alegre, ainda estava no alforge traseiro dele e ele nem se lembrava mais. Quando preencheu os documentos dos trâmites alfandegários, declarou que não trazia produtos animais e vegetais. Ocorre que, na revista das bagagens, o cachorro achou a copa. Resultado, o Cel. Mostarda teve que pagar uma multa por declarações falsas. O pior de tudo que o cachorro ainda quebrou o pisca traseiro da moto dele com uma patata. Acho que o cachorro pensou assim: Tá querendo o quê "homi", quer me enganar é?
Bom, passada a alfândega e toda aquela burocracia necessária, entramos finalmente no Chile.
Logo após a entrada do Chile, tem a estação de esqui e o hotel Portillo. Entramos ali para ver o lugar e tirar umas fotos, mas os lugares mais bonitos precisariam de mais tempo para entrar até as áreas de esqui. Seguimos em frente para finalmente descer a Cordilheira dos Andes pelos famosos Caracoles. É uma estrada sinuosa com quase trinta curvas e pequenas retas. Tem uma paisagem muito bonita, mas também é bem perigosa, pois o asfalto não estava muito bom e tem um trânsito intenso de caminhões e treminhões. Para quem está de moto, não é tão emocionante encontrar um caminhão invadindo a sua pista numa curva, sem guard rails, enquanto você procura um pedaço de asfalto para andar.
No ponto mais alto da travessia dos Andes neste percurso, chegamos a mais ou menos 2.700 metros de altitude. A Ana Júlia conseguiu se sair bem sem precisar mexer na entrada de ar do carburador. Mas conforme eu parava para tirar alguma foto, o motor apagava, então tinha que ficar acelerando um pouco ou aumentar a rotação do motor para ela estabilizar em ponto-morto.
Quando descemos os Caracoles, que foi quase de uma vez só, com poucas paradas e a altitude baixava bastante, o motor parecia que ia explodir, pois mesmo em ponto-morto estava bem acelerada, devido aquelas regulagens durante a subida. Era necessário rapidamente voltar a regulagem mais baixa.
Passados os Caracoles, logo adiante encontramos um posto e lá estava o Diabolin. Já tinha ido até um pouco adiante tentar encontrar um tal mecânico que o pessoal do posto tinha indicado para ele, mas como não encontrou, retornou ao posto e comprou óleo para ir completando até chegar em Santiago-CHI. Aproveitamos esta parada para comer alguma coisa, se bem que ali só tinham salgadinhos, mas para quem não tinha opção, aliviamos a fome com isto mesmo. Seguimos viagem para Santiago já no finalzinho do dia e pegamos um trecho a noite.
A chegada a Santiago-CHI foi um pouco complicada, pois tínhamos que achar o hotel onde o Cel. Mostarda havia feito reserva. Chegar numa capital, a noite, sem conhecer nada, com apenas o endereço, torna a procura mais difícil. Não tínhamos idéia nem para que lado da cidade era o hotel. Começamos a perguntar e fomos tocando no meio de todo aquele trânsito e tentando chegar ao endereço desejado, até que conseguimos uma prestigiosa ajuda de um motorista que nos levou até a rua desejada e seguiu seu caminho. Mas a rua tinha sentido único e estávamos no lado errado. Como qualquer cidade grande, foi complicado acharmos um jeito de retornar por outra rua e achar novamente a rua e o local do hotel. Depois de conseguirmos chegar ainda fomos surpreendidos pelo "tipo" do hotel e pelo estacionamento, que fora informado ser a 2 quadras do hotel, mas o mesmo fechava as 22 horas. O que faríamos se quiséssemos sair ou chegar após este horário? Conseguimos um posto de combustível a uma quadra do hotel que nos deixou estacionar as motos no fundo, logicamente pagando algumas diárias. Então, devido ao horário e o cansaço, acabamos ficando ali mesmo, pois tinha a vantagem de ser bem próximo ao centro e a uma rua onde tinham oficinas de motos, afinal precisaríamos disso no dia seguinte para arrumar a moto do Diabolin.
Motos estacionadas, fomos buscar algum lugar para jantar. Achamos uma pizzaria próxima ao hotel, mas fomos surpreendidos com a notícia que não serviam bebidas alcoólicas, parece que os bares de lá só podem servir bebidas alcoólicas se pagarem uma taxa extra, então aqueles que não pagam a taxa, não podem servir estas bebidas. Naquelas alturas precisávamos de algumas cevas bem geladas. Tentamos procurar outro por perto, mas como não achamos, acabamos jantando ali mesmo a base de refrigerantes. Pelo menos a pizza era boa.
14/01/2006
Santiago-CHI
Inicialmente este dia estava reservado para descansarmos um pouco e passear por Santigo-CHI. Mas com o ocorrido na moto do Diabolin, resolvemos primeiramente acompanhá-lo para tentar uma solução. Como não sabíamos se seria possível resolver o problema com o mecânico que foi indicado pelo Molina, um amigo chileno do Giggio, que já esteve no Brasil em outro encontro de motos, fomos acompanhando para ver se precisava de alguma coisa que pudéssemos ajudar. Aproveitamos também para trocar óleo e filtro das nossas motos e fazer algumas revisões/regulagens para a continuidade da viagem. A minha moto também tinha um pequeno vazamento na entrada do radiador, que foi aparentemente resolvido com alguns ajustes.
O problema com a moto do Diabolin foi um pouco mais sério do que pensávamos. O mecânico tentou estancar o vazamento por diversas vezes e não tinha jeito. Era só colocar a moto em funcionamento que o óleo já começava a vazar.
Ficamos um bom tempo na oficina esperando o conserto da moto do Diabolin, mas como já passava algum tempo da hora do almoço e estávamos com fome, deixamos o mecânico arrumando a moto e fomos até o Mercado Central para almoçar. Lá encontramos o Cel. Mostarda e Beth que foram fazer um City Tour com os casais que nos acompanhavam de carro.
Depois do almoço retornamos ao mecânico para ver se a moto do Diabolin já estava pronta, mas para nosso desespero o problema ainda continuava. O mecânico já tinha soldado umas duas ou três vezes, enchido de óleo e o problema do vazamento retornava. Pior que para cada operação dessas era necessário aguardar o motor esquentar até verificar se ia vazar. Como continuava vazando, precisava aguardar o motor esfriar e escorrer todo o óleo novamente, para meter mais solda. Quando chegamos ao mecânico, tivemos uma triste visão. A moto já estava até pendurada, porque só deitando a moto o mecânico não conseguia mais achar o vazamento.
Como não tinha o que fazer, a não ser aguardar uma solução, o negócio foi descansar um pouco ali mesmo, em cima da Ana Júlia. Aliás, em cima da moto do Avelino, que estava mais não mão, ou nas costas, rsss.....
O resultado de tudo isso foi que acabamos passando quase o dia inteiro no mecânico tentando uma solução. Felizmente o problema foi solucionado com bastante solta no cárter, mas isso já era final do dia. Como não tínhamos muito tempo, voltamos para o hotel tomar um banho e fomos dar uma passeada pelo centro de Santiago-CHI. Ainda bem que lá, por estar mais ao sul, anoitece mais tarde, mais ou menos 20:30 horas. Com isso ainda pudemos conhecer um pouquinho da cidade.

Apesar de não termos muitas pretensões em conhecer bem Santiago, devido ser uma viagem de moto, nossos objetivos maiores era de conhecer outros lugares, pois para conhecer a capital pode-se pegar um avião e ir diretamente pra lá num final de semana prolongado com feriado. Se bem que não esperávamos também passar quase o dia todo no mecânico, algum passeio pela cidade seria muito bem vindo.
15/01/2006
Santiago-CHI -> Viña del Mar-CHI -> Valparaíso-CHI -> Santiago-CHI
Este dia foi reservado para fazermos um Bate & Volta até o litoral e conhecer o Oceano Pacífico. Logo pela manhã foi a vez do Adv ter problemas com a moto. A GSXF estava com a bateria arriada e não queria dar partida. Tentamos empurrar alguns metros, mas a moto não quis pegar. Um dos taxistas que abastecia no posto onde deixávamos as motos estacionadas, fez uma ligação direta com o carro dele e resolveu o problema naquele momento, inclusive deu o cabo de presente para o Adv, caso ele precisasse mais a frente.
A descida de Santiago-CHI para o litoral é muito bonita e não da para dizer que tenha uma verdadeira serra, com curvas e tudo mais, igual estamos acostumados no Brasil, pois é praticamente uma reta com pouca inclinação, mas realmente muito bonita.
Chegando em Valparaíso, tiramos algumas fotos de alguns pontos muito interessantes e procuramos um lugar para estacionar as motos, mas enfrentamos aquele velho problema de flanelinhas e policiais num domingo de praia.

Acabamos encontrando um bom local para estacionar sem precisar pagar e fomos conhecer um pouco do Pacífico. Apesar do calor de quase 40 graus, não se via muita gente dentro da água, pois ela é bem gelada.

Após um passeio pela cidade, procuramos um local para almoçar e aí tivemos outra decepção. Por ser o dia de eleição para segundo turno para presidente, a maioria dos restaurantes estavam fechados, porque não podiam vender bebidas alcoólicas e não compensava abrir. Eu, o Cel. Mostarda e a Beth, acabamos parando num Mc Donalds para comer aquelas borrachinhas que muita gente gosta, mas eu detesto. Não sei se os demais almoçaram em algum lugar ou também só fizeram lanches. Depois do "almoço" e todos reunidos novamente, fomos até Viña del Mar.

No caminho encontramos outro motociclista brasileiro, que também estava viajando por aquela região e acabou nos acompanhando para Viña del Mar-CHI e no retorno para Santiago-CHI.
Viña del Mar é uma cidade portuária, com ruas estreitas e bem fácil de se perder. Aliás, nos perdemos algumas vezes tentando chegar num ponto mais alto, que nos foi indicado, para apreciar a paisagem e uma vista da cidade.

Retornamos para Santiago-CHI no final do dia. Na chegada à cidade, paramos na entrada do aeroporto, onde nos despedimos da Lika, que estava retornando de avião naquele dia, pois voltaria a trabalhar na segunda-feira. A partir daquele dia o Diabolin também seguiu viagem "desgarupado".
Ao entrar em Santiago-CHI, enfrentamos mais um problema. Como já tinham um resultado parcial das eleições e tudo indicava a vitória da candidata Bachelet, as ruas já estavam tomadas pela população comemorando e os guardas tinham bloqueado todas as ruas centrais da cidade. Eles nos indicavam para seguir por outro caminho, mas como não conhecíamos muito da cidade, ficaria ainda pior para chegar ao hotel. Sorte que o Cel. Mostarda convenceu os guardas para nos deixar passar com as motos e seguir por um caminho mais curto.
A noite fomos num churrasco na casa do Molina, aquele amigo do Giggio que já esteve no Brasil. Para nossa surpresa o churrasqueiro era ninguém mais que o próprio mecânico que passou o sábado inteiro para arrumar a moto do Diabolin.
Também conhecemos outros amigos deles, convidados do Molina.

Foi muito bom este churrasco para conhecermos o pessoal motociclista do Chile e pegarmos algumas dicas das regiões que passaríamos pelo sul do País, inclusive a dica dos pedágios. No Chile, motos pagam pedágio como qualquer outro veículo. A cada X Kms existem aquelas chancelas cobrando os pedágios, mas se você guardar os tickets e sair para alguma cidade antes de terminar aquele percurso até o próximo pedágio, você pega o reembolso parcial do trecho que não andou. Mas isso só se você parar na cabine, apresentar o ticket e pedir o reembolso, senão o azar é seu.