26/01/2006
Buenos Aires-ARG -> Punta del Este-URU
Tínhamos horário para chegar ao porto, fazer os trâmites da Aduana e pegar o Buquebus, então nos programamos para sair cedo. Deixamos as motos no local de embarque e fomos tratar da papelada. O mais interessante é que tanto as papeladas de saída da Argentina quanto as da entrada no Uruguai são feitas tudo ali.
Com toda a papelada na mão, embarcamos as motos e subimos para desfrutar da viagem na primeira classe.


O Buquebus, que poderia ser chamado de balsa, é uma espécie de barco enorme onde os veículos são colocados na parte inferior e, em cima, tem as poltronas para os viajantes, parecido com uma aeronave. Tem também um free-shop que é aberto após um determinado tempo de viagem, acho que é preciso distanciar um pouco da Argentina para que eles possam disponibilizar os produtos para compra. Mas pelo que vimos, os preços não eram muito atrativos, acabamos não comprando nada, até porque não tínhamos espaço para levar mais bagagens nas motos. A travessia dourou aproximadamente uma hora e dez minutos.


A chegada ao Uruguai foi bem tranquila, pois já tínhamos feito toda a papelada da aduana e só tivemos que conversar com os guardas da fronteira. Perguntaram-nos o que estávamos levando e já liberaram para seguir viagem, nem precisou vistoria e apresentação dos papéis.
Paramos na cidade para fazer câmbio e fomos dar um passeio antes de seguir viagem. Colônia del Sacramento-URU parece ser uma cidade muito bonita e com pontos turísticos para visitação. Talvez compense passar um dia ali para conhecer um pouco mais.

Pegamos a estrada litorânea sentido Montevidéo-URU. Entre os países que visitamos, podemos dizer que o Uruguai é o mais organizado, com boas estradas e tudo muito limpo, inclusive os postos de combustíveis com banheiros limpos. Mas isso tem um preço, pois o litro de combustível foi o mais caro de todo o percurso, aproximadamente R$ 4,00. Nesta época o combustível custava não chegava a R$ 2,00 no Brasil.
Paramos para almoçar em Montevidéo-URU, no Mercado do Porto. Existem muitos restaurantes neste mercado, mas o que é mais interessante e que valeu a pena, foi almoçar como se estivesse num boteco. São restaurantes com um balcão onde você escolhe a carne e ela é assada numa grelha que fica ao centro deste balcão. Ou seja, enquanto você degusta uma boa cerveja, pode apreciar a carne escolhida sendo assada, até ficar ao ponto desejado.


Também conhecemos um senhor de certa idade que fica tocando um violão ao redor dos barzinhos em busca de alguns trocados. Este senhor é tão simpático que ficamos algum tempo conversando com ele. O Diabolin até arriscou tirar algumas notas musicais no violão, mas o velhinho era muito melhor nas cordas musicais, rsss....
Não chegamos a encontrar o bonde dos ligeirinhos, aliás, nem sabíamos se eles realmente tinham ficado em Montevidéo-URU ou já tinham seguido viagem.
Continuamos a viagem pela estrada litorânea apreciando as belíssimas paisagens dessa região. Em muitos pontos passamos por alguns condomínios com verdadeiras mansões de frente para o mar. Apesar da paisagem ser muito bonita, a água do mar é bem gelada, assim como no Pacífico, no Chile. Então as pessoas utilizam a areia mais para pegar sol. São poucos que arriscam um banho de praia.
Chegamos em Punta del Este-URU no final da tarde e fomos procurar um lugar para dormir. Como a cidade é o point dos uruguaios, pois é uma cidade turística, observamos que os preços dos hotéis também eram muito caros. Conversando com algumas pessoas, fomos informados para nos hospedar um pouco mais adiante, cerca de uns 20 kms de Punta, onde os preços eram bem mais acessíveis. Realmente conseguimos um bom hotel com diária na faixa de U$ 20,00 por pessoa, mas tinha que ser em dinheiro, não aceitavam cartões.

27/01/2006
Punta del Este-URU -> Pelotas-RS
Abastecemos em Punta del Este-URU, aliás, esta foi nosso única abastecida no Uruguai. Como já tínhamos visto os preços do combustível, optamos por abastecer ali e depois seguir direto para completar o tanque só no Brasil, onde a gasolina seria um pouco mais barata.
Como era próximo ao horário de almoço, logo que passamos a aduana de saída do Uruguai, paramos num posto para abastecer e matar a saudade de um Prato Feito tipo bandejão, com arroz, feijão, bife e ovo. Prato típico no Brasil e que já estávamos com saudades depois de mais de 20 dias pela Argentina, Chile e Uruguai. A gasolina não era das mais baratas, pois estava bem próximo a fronteira, mas mesmo assim era menor que no Uruguai. Pagamos R$ 1,80 / litro.
O interessante foi passar a aduana brasileira, pois praticamente não se via nada e nem tinha qualquer indicação. Paramos num lugar onde achamos que era a aduana e fomos lá dentro perguntar pro cara (policial?) se tínhamos que fazer alguma coisa, pois estávamos voltando de viagem. Ele foi lá fora, olhou as motos e perguntou o que estávamos levando nos alforges. Falamos que eram apenas roupas e o Avelinho comentou que tinha dois vinhos Argentinos. Ele nem pediu pra ver e nos mandou seguir.
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Quando pegamos a estrada brasileira, realmente caiu a ficha. É, estamos no Brasil, começou a buraqueira. Até chegamos a pegar algum asfalto em condições razoáveis nos outros países, mas buracos, somente no Brasil mesmo. Depois mais uma confirmação que estávamos em terra brasileira. Fomos parados por alguns policiais que, após ver os documentos, começaram a insinuar que tínhamos ultrapassado em faixa contínua, mas com ele não sabia qual de nós, mandou seguir viagem depois daqueles belos sermões típicos das "otoridades" brasileiras.
Chegamos em Pelotas-RS no meio da tarde e até poderíamos ter andado um pouco mais, mas conforme estava na nossa programação, pousaríamos ali e no dia seguinte seguiríamos para Porto Alegre-RS, onde estava previsto uma chegada oficial do bonde e almoço com diversos amigos motociclistas. Então paramos numa praça e depois de tomar umas geladas pegamos um hotelzinho simples e barato para passar a noite.
Ps. Antes que alguém pergunte, a resposta é NÃO. Não fomos procurar os gaúchos de camiseta rosé, muito pelo contrário, vimos muitas mulheres bonitas na cidade.
28/01/2006
Pelotas-RS -> Braço do Norte-SC
Tínhamos somente 280 kms até Porto Alegre-RS, onde terminava a viagem para o Avelino e o Diabolin. Antes de chegarmos em Porto Alegre-RS, mais ou menos 50 kms, encontramos o amigo GDM, que tinha ido até Uruguaiana-RS conosco no início da viagem. Ele trazia na garupa a Lika, esposa do Diabolin. Depois dos cumprimentos, motocamos juntos até Porto Alegre-RS, onde fomos recepcionados no posto Laçador por diversos amigos, inclusive o Klein e a Beth, do bonde dos ligeirinhos, que já chegaram no dia anterior.

Ficamos sabendo que o Giggio já tinha seguido para São Paulo-SP naquele dia e o Adv nos encontrou no restaurante onde comemoramos a chegada oficial. O dia 28 de janeiro, sábado, era o dia programado para a chegada oficial de todo o bonde, mas acabou que só o bonde das shadows chegou neste dia, os apressados chegaram um dia antes.
Enquanto almoçávamos numa churrascaria de Porto Alegre-RS, comentei que, para mim não compensava ficar por alí, pois eu devia chegar em Curitiba-PR no dia seguinte, então decidi continuar a viagem e parar para me hospedar mais pra frente.
A M2, que também foi até Uruguaiana-RS conosco e estava em Porto Alegre-RS, disse que me acompanharia, pois também estava retornando para Itajaí-SC. Só o Klein e a Beth que resolveram ficar mais um pouco na cidade antes de seguir para São Paulo-SP.
Para não fazer aqueles caminhos padrões, pegando a BR-116 ou BR-101, resolvi descer até a estrada litorânea do Rio Grande do Sul e subir por ela até Torres-RS. Depois seguimos um trecho da BR-101 e fomos para Braço do Norte-SC, para encontrar e comemorar o retorno da viagem com alguns amigos.
29/01/2006
Braço do Norte-SC -> Curitiba-PR
Este foi realmente o último dia da viagem para mim. Eu e a M2 subimos a Serra do Rio do Rastro, em Santa Catarina e seguimos para Urubici-SC e Alfredo Wagner-SC.
Durante este percurso pude ver um fato realmente pitoresco. Aliás, um fato que só é apreciado por motociclistas das custom, devido a baixa velocidade na estrada. Observei uma faixa preta no asfalto que, de certa forma, estava se mexendo. Voltei para ver o que era e tive que fotografar. Era uma população de gafanhotos atravessando a rua. Observando com detalhes pude ver que os gafanhotos maiores, provavelmente os pais, ajudavam os menores a percorrerem o caminho, pois estes iam e voltavam enquanto os pequenos estavam se locomovendo pelo trajeto. Fato realmente muito interessante.

Seguimos para a BR-101 e a M2, que ia ficar em Itajaí-SC, acabou me acompanhando até Curitiba-PR, onde fomos agraciados por uma boa recepção pelos amigos Zé do Laço, Kid Pai e professor Barreto. Acabamos tomando umas cervejas para comemorar o término da viagem e segui para casa, pois já estava com saudades da família depois de 27 dias fora e mais de 10 mil kms rodados pela Argentina, Chile, Uruguai e Brasil.